Por Thea Rodrigues
No Império Romano, uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade era chamado de “grafite”. O termo vem do latim “graphium” ou do italiano “graffito” que significa “rabiscos a carvão”.
Por muito tempo o grafite foi considerado sinônimo de transgressão e contravenção. Hoje ele é considerado uma forma de expressão artística de caráter extremamente urbano, através da qual o artista aproveita os espaços públicos para para interferir na cidade. No entanto, ainda há quem equipare o valor artístico do grafite ao da pichação.
Muitos grafiteiros respeitáveis, como Os Gêmeos que possuem importantes trabalhos em várias paredes do mundo (ex.:fachada da Tate Modern de Londres), admitem ter um passado de pichadores.
Com o movimento contracultural de maio de 1968, quando os muros de Paris foram suporte para inscrições de caráter poético-político, a prática do grafite espalhou-se pelo mundo, em manifestações que vão do simples rabisco como uma espécie de demarcação de território, até grandes murais executados em espaços especialmente criados para esse fim. Os grafites podem também estar associados a diferentes movimentos e tribos urbanas.

Um dos mais ousados grafiteiros, Jean-Michel Basquiat, chamou a atenção da imprensa novaiorquina, no final dos anos 1970, pelas mensagens poéticas que deixava nas paredes dos prédios abandonados de Manhattan. Basquiat ganhou o rótulo de neo-expressionista e foi reconhecido como um dos mais significativos artistas do final do século XX.
No Brasil, o grafite teve maior visibilidade por volta dos anos 80. Avenidas como Paulista e 23 de Maio em São Paulo tiveram muros grafitados e receberam ampla aprovação da população. O impacto visual exerceu em zonas mais deterioradas uma função revitalizadora e deu identidade a alguns lugares das cidades.

PARA CONHECER MAIS SOBRE O GRAFITE:
11 de dezembro de 2009 a 10 de janeiro de 2010
Graffiti Fine Art – Estilos
A arte urbana da exposição “Graffiti Fine Ar – Estilos” mostrará ao público, os traços dos artistas Gueto, Finok, BTS, Nem, Funto, Tikka, Markone, Shock, Boleta, Ciro e Ronah. A curadoria é do também grafiteiro Binho Ribeiro.
Eles realizarão seus trabalhos em telas, formando painéis de 1,5m x 3 metros. Serão exibidos diferentes estilos do graffitti, como o figurativo (artistas Funto,Tikka, Markone, Shock), o abstrato (Boleta, Ciro) e a caligrafia (Gueto, Finok, BTS, Nem).
Museu Brasileiro da Escultura
Av. Europa, 218 – São Paulo – Brasil
De terça a domingo das 10:00 as 19:00 hrs
11 2594-2601 – mube@mube.art.br